Meeting Colin Hay

“Meeting Colin Hay”

A história de como conheci meu maior ídolo

Acabou mais uma turnê brasileira do cantor Colin Hay, vocalista da banda australiana Men at Work. Assistir aos shows e estar na presença de Hay faz um filme passar pela minha cabeça, uma história das mais importantes da minha vida.

Em meados dos anos 90, quando ainda era um garoto e frequentava a escola, comecei a falar para os amigos de uma banda chamada “Men at Work” que havia visto no Programa Livre do SBT, ainda apresentado por Serginho Groisman. Pouco me lembro da atração hoje, mas sei que ao ver a banda executar hits após hits, fui percebendo que gostava daquele som.

Ganhei de presente de aniversário, em 1997, o CD “The Works”, uma coletânea contendo diversos hits da banda. E consegui adquirir a coletânea “The Best Of” e o álbum ao vivo “Brazil ‘96” (um lançamento na época).


Vagamente dava pra se ver os rostos da banda nos encartes destes CDs e a internet na época ainda era para poucos, e eu não era um deles. Por muito tempo aqueles três CDs foram reproduzidos repetitivamente até que, inconscientemente, toda nota fosse decorada.

Após a surpresa do advento do gravador de CDs, que nos permitia criar nossa própria coleção de músicas na mídia que ainda era uma novidade, a possibilidade de criar um site na internet, agora um pouco mais acessível, acendeu a minha criatividade e a vontade de falar sobre minha paixão pela música do Men at Work.

Neste meio tempo havia conseguido comprar através de uma importadora os CDs “Contraband: The Best Of” e “Men At Work & Friends”.

Através da internet vim a descobrir sobre a brilhante carreira solo de Colin Hay, que naquele momento estava lançando o seu quinto álbum, “Transcendental Highway”, o qual vim a ganhar num concurso cultural promovido pelo site Minor7th, onde respondi à pergunta: “Quem é Colin Hay?”

O meu site surgiu então em 28 de fevereiro de 2000, com o título “The Works of Men at Work” no domínio gratuito www.theworks.cjb.net.

Pouco tempo depois consegui chamar a atenção de Colin Hay que visitou e gostou do site, me enviando bastante material solo para completar as informações que eu necessitava.

Foi quando lhe disse que gostaria de lhe conhecer, e ele me disse que a rotina de shows no Brasil era sempre muito corrida, mas que nos EUA seria mais fácil este contato. Eis que em setembro de 2001, aos 17 anos, coloquei minha mochila nas costas e parti sozinho para os Estados Unidos.

Nos primeiros dias fui recebido e permaneci na casa da amiga Margo Havlik. Com ela, e a amiga Stacy Greene, me dirigi ao primeiro show de Colin Hay em 3 de setembro, na cidade de Thousand Oaks, CA, ao norte de Los Angeles, no Conejo Park.

Encontrei com Colin e sua esposa Cecilia Noël, antes do show e fui recebido por um caloroso abraço. O show na época trazia bastante músicas de sua carreira solo e, é claro, os hits do Men at Work. Foi diversão garantida. A primeira música que vi ao vivo foi “I Haven’t Seen You In a Long Time”, do álbum Topanga (1994), a qual filmei para eternizar este momento.

Após o show foi comemorado o aniversário de uma pessoa da equipe da Colin Hay, e eu participei da festa, após tirar um foto que registrou meu primeiro encontro com ele e Cecilia.


Nas próximas semanas assistimos a mais alguns shows de Colin Hay na Coach House em San Juan Capistrano, no festival Street Scene de San Diego e no reservado Largo em Hollywood, onde tive a oportunidade de conhecer o ator Anthony LaPaglia, amigo de Colin, protagonista da série “Desaparecidos” (Without a Trace). Durante os shows também conheci dois amigos australianos de Colin, o ator Kym Gyngell e o empresário Mario Maccarone.

Stacy, Margo, Colin, Cecilia e eu

No show que aconteceu em San Diego, a pessoa que deveria aparecer pra vender os CDs de Colin não veio e eu me ofereci para fazê-lo. Foi muito divertido poder assistir ao show e ajudar na venda dos CDs.


O atentado às torres gêmeas aconteceu enquanto eu estava nos Estados Unidos, e isso casou uma grande comoção entre os americanos. Cecilia Noël dedicou o seu show do dia 15 de setembro, que aconteceu no Key Club em Hollywood, às famílias das vítimas. Colin Hay também participou deste show e me apresentou ao Chad Fischer, líder da banda Lazlo Bane, e esporadicamente baterista na banda de Colin. Um vídeo com imagens do show de San Diego, e deste do Key Club, foram utilizados por Colin Hay para vender seus shows, e eu apareço rapidamente no público.

Surgiu então o convite por parte de Colin e Cecilia para que passássemos um tempo juntos e eu segui com uma amiga dela pra pousar em sua casa. Alguns dias depois fomos à Disneyland, Colin, Cecilia, Kym e Mario. Cecilia também me levou pra conhecer o estúdio de Colin, que fica em sua casa, onde também pousei por uma noite.

Kym Gyngell, Cecilia, eu, Colin e Mario Maccarone

Colin Hay partiu para um compromisso na Austrália e Cecilia me convidou para ficar mais alguns dias, além do previsto, para que pudéssemos aproveitar mais quando ele voltasse. Entretanto, como minhas férias no trabalho já estavam acabando, achei melhor voltar.

Após conhecer Colin mudei o foco do site, direcionando mais para sua carreira solo, passando a se chamar “Colin Hay of Men At Work”, e podendo ser acessado pelos endereços www.menatwork.com.br e www.colinhay.com.br. Nos anos que se seguiram, mantivemos um contato regular, até que Colin Hay voltou para o Brasil em 2004.

O empresário de shows Marco Mattos entrou em contato comigo para ajudá-lo na criação de um material de divulgação da turnê brasileira de Colin Hay naquele ano. A melhor parte desta parceria aconteceu quando Marco me convidou para acompanhar a sua equipe durante a turnê. O reencontro com Colin Hay e Cecilia Noël aconteceu no aeroporto em São Paulo, de onde já parti com eles para Uberlândia-MG.


Não só acompanhei os shows nas cidades de Uberlândia-MG, Goiânia-GO e Brasília-DF, como passei o tempo todo com Colin Hay, o levando para as entrevistas em rádios e TVs, além dos almoços e jantares nos hotéis pode onde passamos.

O último show que vi nesta turnê foi em São Paulo, no Olympia, quando tive a chance de apresentar alguns amigos e familiares para Colin, Cecilia e a banda.


Durante a passagem de Colin Hay pelo Brasil em 2007, eu não o acompanhei, mas tive a chance de abrir seu show no palco do HSBC Brasil (antigo Tom Brasil), com a minha banda Rockstrada.


Tive a oportunidade de gravar uma breve entrevista com Colin, e assim registrar pela primeira vez um material em vídeo ao lado dele. Ele brincou com o fato de eu ter crescido desde quando ele tinha me conhecido.

Desta turnê que acaba de se encerrar no Brasil, eu assisti a três shows. O primeiro, em Jaguariúna-SP, onde foi ótimo rever Colin e Cecilia, e apresentei meu pai a eles. Meu pai é conhecido por Carlinhos, a mesma maneira como Colin e Cecilia me chamam devido ao meu primeiro nome ser Carlos, então foi muito divertido contar que ele era o “Carlinhos Pai” e eu “Carlinhos Filho”.

Neste show falei a Colin Hay que lhe presentearia no próximo com uma cópia do single compacto em vinil “Keypunch Operator”, lançado independentemente pelo Men at Work em 1980, um item raríssimo de colecionador.

Na semana seguinte, assisti ao show no Via Funchal em São Paulo, acompanhado de alguns amigos. Após o show muita descontração no camarim e Colin ficou muito penoso para pegar o “Keypunch Operator”, dizendo que ele se estragaria na viagem, e acreditava já ter um. Eu acho que ele ficou é com pena de pegar o disco de mim, uma vez que sabe o quão difícil é conseguí-lo. Então pedi para que ele autografasse esta cópia, que ficou aqui guardada com a outra que eu já possuía.

Eles gravaram um depoimento muito carinhoso falando do meu site e também do meu apoio ao trabalho deles aqui no Brasil, eu fiquei muito feliz com a consideração deles.

Cecilia me disse que gostaria que eu fosse a mais um show antes do final da turnê, o que eu não estava planejando. As opções eram Rio de Janeiro-RJ, Joinville-SC ou Rio do Sul-SC. O show do Rio estava muito em cima, sábado eu tinha um show e não pude ir para Joinville, então restou Rio do Sul.

Chamei os amigos Ricardo e Vitor, e partimos de carro para esta grande aventura de mais de 800 km, para assistir àquele que seria o último show da turnê.

O show foi excelente, mas Colin e Cecilia deixaram o local do show muito rapidamente após o fim. Eu conheci os produtores Marcelo e Caio, e consegui que Colin autografasse pela quarta vez uma camiseta branca do álbum “Going Somewhere”, que ele me deu anos atrás. A camiseta foi autografada nos anos 2001, 2004, 2007 e 2011, justamente nas ocasiões que estive com Colin.

Ao chegar no hotel após o show, passei uma mensagem para Cecilia e disse que ainda estaríamos na cidade no dia seguinte, então ela nos convidou para um café da manhã. E lá fomos nós, Vitor e eu, para tomar um café da manhã com Colin, Cecilia e a banda.

Ficamos por mais de uma hora e meia batendo papo com eles, e Colin me falando sobre futuras oportunidades aqui no Brasil, e sobre a sua carreira no geral. Ele nos presenteou com algumas camisetas, CDs, e palhetas personalizadas. Foi quando ele me contou que ainda haveria mais um show da turnê, no dia 23 de junho em Parintins-AM (o qual a Cecilia já me contou que foi excelente, com 12 mil pessoas no público).


Nos despedimos também de Michael Ghegan, Simon Hosford e Craig Martini, que estavam no saguão do hotel, e partimos de volta pra casa.


Ter conhecido Colin Hay e poder desfrutar de alguns momentos ao seu lado, são realizações de um menino que no começo da adolescência viu uma banda na TV, e ganhou alguns CDs que o levaram a acreditar no sonho de conhecê-los. Tenho muita sorte por gostar de um artista muito gentil chamado Colin Hay, que sempre me recebeu muito bem, ao lado de sua querida esposa Cecilia Noël.

Espero poder acompanhar por mais diversas vezes estes shows que são fascinantes, e poder bater um papo com este meu grande ídolo e amigo.

Além de Colin e Cecilia, tenho algumas pessoas especiais para agradecer nesta história: Margo Havlik, Stacy Green, Lyn Pepper, Richard Rees, Marco Mattos, Fábio Garrito (in memorian), Marcelo Alves, Caio, Euclair A. Ricardo e Vitor Souza. Além dos meus amigos e familiares que me aturam falando de Colin Hay a vida toda, e os carregando para os shows sempre que possível.